Feitiçaria existe ou nao em Moçambique?

EXISTE OU NÃO FEITIÇARIA EM MOÇAMBIQUE?


O questionamento da existência ou não da feitiçaria tem sido debate constante em alguns pontos do nosso país. No entanto, a complexidade do relacionamento entre a modernidade e globalização aponta a relevância do estado da feitiçaria em África. Em Moçambique pós-colonial, suspeitas e acusações de prática de feitiçaria surgem constantemente apontando os idosos como promotores do mesmo.
Arnaldo Chibale, diz não concordar com esta tese pois segundo ele toda pessoa pode praticar a feitiçaria independentemente da faixa etária. Ele sustenta ainda dizendo que no seio dos jovens a inveja tem sido o que mais lhes induz a esse acto uma vez que procuram as pessoas fazedoras da bruxaria para derrubar amiga, irmã ou prima que está a um nível socio˗económico estável.
Estas práticas demostram que aplicação de vários modelos de desenvolvimento e modernização não conduzem a liberação em relação a práticas obscurantistas. A religião e a feitiçaria mantém-se como uma das mais poderosas róstricas da cultura e política africana, em particular moçambicana.
Há quem diz que a feitiçaria é apresentada como o modo mais comum de alcançar sucesso, riqueza e prestigio na época de declínio económico e escassez de oportunidades.
Nos espaços domésticos, os conflitos familiares e sociais cristalizam-se constantemente em torno de acusações de feitiçaria, sobre tudo quando ocorrem mortes inexplicáveis, ou desastres pessoais.
A feitiçaria sobressai hoje como uma força ambivalente que ajuda a promover a acumulação individual e coletiva, atuando simultaneamente como mecanismo de controlo das diferenças sociais.

Texto: Lídia Mabomo


Edição: Manuel Henrique
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