ASSASSINATO DE VALENTINA GUEBUZA: Afinal a arma foi disparada a mais de 2 metros de distância

Os projécteis que alvejaram Valentina Guebuza foram disparados a cerca de 2,40 metros de distância, o que contraria a versão de Zófimo Muiuane, segundo a qual a vítima atirou contra si mesma durante a peleja que o casal travou antes do incidente que culminou com a morte dela, a 16 de Dezembro do ano passado.

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A informação foi revelada por peritos em balística criminal durante audiência do julgamento de Zófimo Muiuane, que decorre no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo. Segundo os investigadores, a arma usada foi uma pistola da marca Pietro Barreto, com calibre de 7,65 milímetros. Falando na audiência, Munis Mafuane, especialista em balística, disse que conseguiu determinar o tipo e a marca da pistola usada a partir de armas e da cápsula encontrada no local do crime. Indicou ser inconcebível que a vítima tenha usado a arma do esposo, ora réu, e não a sua própria pistola, que estava mais próxima e de que tinha algum domínio. Aliás – conta o perito –, a vítima levava vantagem porque estava por detrás do esposo, pelo que devia ter usado a sua própria arma. Os vestígios encontrados no local do crime dão a certeza de que foram usadas três munições. O réu disse no acto da reconstituição, segundo o especialista, que quando ouviu o estrondo do primeiro tiro esquivou para o lado direito, por isso não foi atingido. Esta versão foi desmentida em sede do julgamento porque, conforme Mafuane, após premir o gatilho, antes de se ouvir o estrondo o projéctil já atingiu o alvo. Portanto, a uma distância curta, a probabilidade de o réu ter esquivado é ínfima. Explicou que os dois carregadores encontrados no quarto do casal tinham capacidade para 12 munições cada, um deles com dez balas e o outro com onze, mas no local não encontrou nenhum projéctil com sangue. Munis Mafuane esclareceu ainda que, ao efectuar-se o primeiro disparo, a vítima não teria força suficiente para realizar o segundo porque teria ficado imobilizada pelos efeitos da primeira bala. Lino Tivane, também especialista em balística, disse ao juiz que a arma de fogo foi o último recurso a ser utilizado, tendo em conta as inúmeras lesões que a vítima apresentava em diversas partes do seu corpo. Na sua análise, não foi a vítima a pressionar o gatilho da pistola porque ela estava numa posição contrária em relação a ela, sendo que o mais provável é ser outra pessoa, numa outra posição, a fazê-lo. João Ernesto, perito em biologia forense, disse ao tribunal que a equipa técnica encontrou o corpo no Instituto do Coração, mas houve a necessidade de se deslocar até à casa da vítima com vista a fazer a reconstituição dos factos. Chegados ao local, conforme o técnico, constatou-se que houve um cenário de confusão, mas que depois houve tentativa de reorganizar os móveis. Elucidou que foi encontrada uma bala por debaixo das almofadas, numa situação clara de ter sido depositada. Na alcatifa e nas paredes havia gotas de sangue que descreviam a trajectória efectuada pela vítima depois do incidente.
Da inspecção realizada no Instituto do Coração até ao local dos factos, tal como indicou o especialista, o tempo que intermediou foi de menos de quatro horas, pelo que ainda existiam condições para realização do exame na residência.
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