Presidente Francês assume-se como ´´ANTI-TRUMP``

O Presidente francês, Emmanuel Macron, subiu à tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas para colar cada vez mais à pele o papel que está a definir para si próprio: o de anti-Trump. Defendeu o multilateralismo como única estratégia para ultrapassar o período perigoso que o mundo atravessa, em que pairam “a ameaça da guerra e do genocídio”, em antítese ao “patriotismo e orgulho de cada nação” que foi proposto pelo Presidente dos Estados Unidos



DonaldTrump usou a ONU para ameaçar destruir a Coreia do Norte. Macron disse que “a França recusará toda a escalada e não fechará a porta ao diálogo”. Não foi propriamente uma segunda edição do discurso do ex-primeiro-ministro francês Dominique de Villepin em 2003, no Conselho de Segurança, recusando apoiar a invasão do Iraque em que se envolveram os EUA e o Reino Unido, entre outros aliados; mas o Presidente francês fechou certamente a porta às ideias defendidas pelo seu congénere americano.

Sobre o acordo nuclear com o Irão, que foi um marco da diplomacia norte-americana da Administração de Barack Obama, e que Trump se esforça por minar, Emmanuel Macron afirmou que seria “irresponsável” não respeitar o que foi combinado pelas partes. “É um acordo útil e essencial à paz. Pô-lo em causa seria entrar numa espiral infernal. É uma responsabilidade do Irão e dos EUA mantê-lo, não destruir o que está feito”, declarou, oferecendo a diplomacia de Paris como intermediária no diálogo entre os dois países.

Quanto à Síria, tema sobre o qual Donald Trump manteve um silêncio estratégico, Macron trouxe-o para a Assembleia. “O povo sírio é vítima de um esquecimento colectivo. A solução terá de ser em termos políticos e não militares”, frisou. “França decidiu fazer deste assunto uma prioridade da sua presidência do Conselho de Segurança, a partir do próximo mês”, anunciou. 

Finalmente, quanto ao Acordo de Paris sobre as Alterações Climáticas tão caro à diplomacia francesa, lamentou a decisão a Administração Trump de o abandonar. E negou, mais uma vez, que seja possível renegociá-lo só porque os EUA dizem que sim. “Respeito profundamente a decisão dos EUA, mas não se pode destruir um pacto que não é só entre Estados, é também entre gerações. Continuaremos a pôr em prática o Acordo de Paris”.

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