Luto e dor na perda:Apenas duas famílias conseguiram identificar seus entes queridos entre as vítimas do acidente de Zavala

Apenas duas famílias conseguiram identificar os seus entes queridos, das doze vítimas mortais do acidente de viação ocorrido domingo passado, na vila de Quissico, distrito de Zavala, em Inhambane. Dez não puderam dar o último adeus aos seus, aqueles que, manhã do fatídico dia 03 de Setembro, partiram do Terminal Inter-provincial da Junta, em Maputo, para mais uma viagem, entretanto interrompida de forma trágica. Sucumbiram à intensidade das chamas que “devoraram” por completo o autocarro da companhia Transportes Nhancale.

Vinte e quatro horas depois do sinistro, por volta das 13h00 do dia seguinte (segunda-feira), dez corpos foram enterrados numa vala comum, no local do acidente. De acordo com as autoridades provinciais de Inhambane, devido à intensidade das chamas, os corpos não estavam em condições de ser identificados. “Estavam desfigurados e os respectivos familiares não conseguiam reconhecer, o que dificultou a identificação”, justificou Juma Daudo, porta-voz do Comando provincial da Polícia da República de Moçambique.

Sair de férias para nunca mais regressar

Quando o acidente aconteceu, Venâncio Mucuho já tinha feito grande parte da viagem e estava quase a chegar à casa da sua mãe, onde ia passar parte das férias que iniciaria no dia seguinte. O agente da PRM, de 60 anos de idade, afecto à esquadra do Bairro 25 de Junho, na capital, é uma das vítimas enterradas na vala comum.

“Dizem que o governo provincial mandou enterrar aquelas pessoas que não podemos identificar”, desabafou, inconformado, Lourenço Mucuho, que não teve oportunidade de procurar o corpo do seu irmão, porque chegou ao local do acidente uma hora depois da sepultura.

Ontem, a família reuniu-se para orar e recordar o homem que deixou viúva e duas filhas. Os “Mucuho” dizem que a transportadora garantiu levar apenas alguns familiares para uma cerimónia fúnebre, a ter lugar este sábado, no local do acidente. De acordo com as autoridades sanitárias de Quissico, dos feridos, apenas um permanece internado e regista melhorias no estado de saúde. A transportadora não quer pronunciar-se sobre o caso.

O troço de uma estrada mortal

As estradas moçambicanas têm sido, nos últimos tempos, autênticos corredores de morte. Na província de Inhambane, ao longo da Estrada Nacional numero Um, os sinistros tiraram a vida de pelo menos trinta e uma pessoas, num espaço de pouco menos de dois anos.

A 4 de Abril de 2016, 15 pessoas morreram quando, na região de Mavanza, 100 quilómetros a sul da vila de Vilankulo, província de Inhambane, um autocarro no qual viajavam com destino à cidade de Maputo embateu violentamente nas traseiras de um camião avariado que transportava troncos. No mesmo sinistro, outras sete pessoas contrariam ferimentos, entre graves e ligeiros.

A 8 de Janeiro deste ano, outro acidente de viação do tipo embate entre viaturas ceifou a vida de quatro funcionários do Estado, no distrito de Quissico, Zavala, província de Inhambane. O sinistro ocorreu por volta das 02h00, a pouco menos de um quilómetro do centro da vila. Tal aconteceu após uma viatura do Estado embater contra um camião avariado e estacionado na berma da estrada.

Já no dia 8 de Agosto deste ano, no mesmo local do sinistro do dia 4 de Abril, e quase nas mesmas circunstâncias, um transportador de passageiros inter-provincial embateu contra um camião estacionado, em Vilankulo. Como resultado, 17 pessoas ficaram feridas, cinco em estado grave.

Presidente da República presta homenagem às vítimas do acidente



Ontem, durante o seu discurso no Congresso de Engenharia, Filipe Nyusi reagiu ao sinistro de domingo, em Quissico, e lamentou a morte de mais 12 moçambicanos vítimas da sinistralidade nas estradas nacionais. O Presidente da República lamentou “profundamente a perda de doze moçambicanos durante a semana, num acidente na Estrada Nacional número Um, onde envolveu mais de 40 pessoas e, dessas, onze ficaram carbonizadas no local”, disse o Presidente da República. Através de um comunicado, a Frelimo também reagiu ao assunto e considerou “a tragédia um atraso aos esforços de desenvolvimento e bem-estar dos moçambicanos, uma vez que afectou o mais precioso bem que salvaguarda como partido: o respeito pela vida”.

Fonte: O País
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